Se você deseja ter uma adega particular, saiba que…
Ter um estoque de vinhos é diferente de ter uma adega!
Você já viveu algo especial na sua casa, recebeu uma visita ou uma notícia agradável mas não tinha uma bebida adequada pra brindar esse momento e acabou improvisando alguma coisa na hora, pedindo um delivery ou até deixando passar em branco? Você já pensou em servir um vinho especial no jantar, em presentear alguém com um vinho, mas não soube o que nem como escolher, então acabou optando por um espumante mais comum ou deixando pra lá? Você já desejou ter uma daquelas adegas de vinhos digna de Pinterest ocupando um cômodo inteiro ou uma parede da sala, mas pareceu algo muito distante da sua realidade?
Hoje, eu vim desmistificar a montagem de uma adega particular para que você monte a sua e nunca mais deixe os momentos importantes e felizes escaparem sem um brinde especialmente saboroso!
Se você quer ter uma adega apenas pela estética ou só para armazenar vinhos por anos a fio, talvez este post não contemple suas expectativas. Esta newsletter foi escrita especificamente para amantes de vinho (enófilos) que querem se envolver no universo das uvas e viver a experiência da enologia. E, se você é essa pessoa que quer viver essa experiência, subscreva-se para receber as nossas newsletters em primeira mão!
“Ter uma adega em casa não significa ter um estoque enorme de vinhos se isso não fizer sentido na sua cabeça e no seu estilo de vida”.
Se você se sente perdido na frente de uma prateleira cheia de vinhos diferentes num super mercado, ter uma adega aleatória pode te deixar perdido em casa também!
Então, antes de pensar no tamanho da sua adega você precisa compreender o que ela significará pra você e quão funcional/útil ela será na sua vida, pra que essa adega te traga segurança e assertividade na hora da escolha.
Veja alguns pontos para ponderar antes de montar sua adega:
Com qual frequência você consome ou gostaria de consumir os vinhos?
Você recebe visitas frequentemente?
Qual a maturidade média no paladar das pessoas que costumam te visitar?
Em quais ocasiões você pretende abrir um vinho?
Em qual ambiente e em qual horário você tem o hábito de consumir o vinho?
Considerando o seu espaço e sua decoração, qual o seu local mais apropriado e disponível para montar essa adega?
Responder a essas perguntas básicas vai te direcionar na hora de planejar a sua adega.
Veja bem, uma garrafa 750 ml serve em média 6 taças de 125ml. Se na sua rotina você considera ideal consumir 3 taças de vinho por semana, seu consumo pessoal é de aproximadamente 1 garrafa para duas semanas, ou seja, aproximadamente duas garrafas de vinho por mês. Para chegar a um tamanho de adega ideal, precisamos contabilizar a quantidade de pessoas que consumirão esses vinhos, a quantidade média do consumo e os eventos possíveis onde os vinhos performarão.
Entender o espaço de tempo que você possui para repor as garrafas da sua adega também é uma estratégia inteligente. Quanto tempo você quer que dure a sua seleção de vinhos? 1 mês, 2 meses, talvez 3? Supondo que para sua adega 4 garrafas por mês seja ideal para o consumo que você contabilizou, se você deseja fazer uma seleção que dure 3 meses, você só precisa multiplicar a quantidade de garrafas (4) pela quantidade de meses (3), neste caso, 12 garrafas seria ideal.
A seleção dos vinhos
Imaginando que você já descobriu a quantidade ideal de vinhos para a sua adega, vamos ao próximo passo: aprender a selecionar esses vinhos. Inicialmente, não vamos nos aprofundar em harmonização, deixaremos os detalhes desse assunto para as próximas newsletters. Vamos fazer apenas uma breve introdução sobre o assunto e, mais uma vez, consideraremos a sua rotina e os seus hábitos para direcionar a nossa seleção. Partiremos pelos vinhos mais básicos: branco, rosé e tinto.
Você certamente já sabe que vinhos brancos são feitos a partir das uvas verdes e são muito mais resfrescantes e mais leves do que os tintos. Eles devem ser servidos numa temperatura mais baixa que os tintos justamente para cumprir esse papel de refrescância que ele assume. E, por ser um vinho leve, ele também harmoniza super bem com pratos mais leves e amanteigados, como: queijos brancos frescos, sobremesas amanteigadas, massas leves, carnes brancas e pratos à base legumes.
Quando chegamos aos vinhos rosé, nos deparamos com a informação genérica de que este vinho é um meio termo entre o tinto e o branco, o que não é exatamente um equívoco, mas também não é verdade absoluta. O vinho rosé é mais frequentemente produzido pela mistura das uvas brancas e tintas, mas ele também pode ser o resultado da maceração de uvas específicas, o que pode transformar totalmente a experiência entre uma garrafa e outra. Esse vinho pode ser considerado um coringa na adega. Ele possui a leveza e o frescor dos vinhos brancos e proporciona o preenchimento dos vinhos tintos. Por terem uma característica de fruta, os rosés acompanham lindamente pratos variados como saladas, sobremesas frutadas, frutos do mar, carnes leves, massas… é o tipo de vinho que agrada a maioria dos paladares quando servido em baixas temperaturas.
E, chegamos à estrela das adegas, o vinho tinto. A maioria das pessoas alimenta uma expectativa sobre este vinho. Os vinhos produzidos a partir das uvas tintas podem apresentar uma variedade enorme de estruturas. As texturas, o preenchimento na boca, a densidade… tudo pode variar muito. Ouso dizer que, o papel do vinho tinto é de “esquentar” o corpo do degustador. É um vinho que deve ser servido numa temperatura mais alta (15-18°C) e acompanham pratos com uma presença mais forte: molhos vermelhos, carnes com maior teor de gordura, massas pesadas, queijos fortes e embutidos.
Dito isso, considere os seus hábitos alimentares, os pratos que você poderia facilmente elaborar para acompanhar a degustação dos seus vinhos e os dias e horários da semana que você tira para dedicar-se a esta experiência. Se você pretende tomar sua taça de vinho numa noite de sexta com o par, num churrasco com os amigos ou cozinhando seu prato predileto num domingo, o vinho tinto pode ser a escolha perfeita. Se prefere apreciar seu vinho num almoço leve com as amigas, lendo um livro após um dia intenso de trabalho ou na beira da piscina degustando frutas tropicais, os vinhos branco e rosé se encaixam muito melhor na sua rotina.





Começar com uma adega enxuta e ir aumentando essa adega gradualmente é tão importante quanto amadurecer o paladar antes de degustar os vinhos mais complexos. Assim como saltar direto para os vinhos complexos pode nos distanciar da apreciação, uma adega sem sentido pode causar a sensação de inutilidade da mesma. É igualmente importante começar com uma seleção que dure menos tempo, 3 meses no máximo, dessa forma você poderá amadurecer seu paladar variando os itens da sua degustação e ir descobrindo o que melhor se encaixa na sua experiência.
Que delícia de assunto! Adorei escrever sobre isso!
Espero que você tenha gostado dessa newsletter tanto quanto eu.
Se você gostou, não se esqueça de se inscrever para me acompanhar nessa jornada incrível em busca da garrafa perfeita. Nos vemos em breve 🍷



